sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Recursos de Comunicação Alternativa para instalar e usar ainda hoje

Descrição da imagem. Imagem de uma prancha de comunicação com 4 quadros, representando as palavras querer brincar junto e desenho. Fim da descrição.
Prancha de comunicação alternativa criada no AraBoard

A comunicação alternativa é um recurso utilizado por pessoas com limitações na comunicação, falada ou escrita. São recursos para facilitar e muitas vezes permitir que estas pessoas se comuniquem com outras.

Você vai encontrar textos sobre este mesmo assunto, com variações do nome que utilizo aqui. O termo Comunicação Aumentativa e Alternativa foi traduzido do inglês Augmentative and Alternative Communication - AAC. Além do termo resumido "Comunicação Alternativa", no Brasil também encontramos as terminologias "Comunicação Ampliada e Alternativa - CAA" e "Comunicação Suplementar e Alternativa - CSA".

Existem diversas formas de trabalhar com a Comunicação Alternativa. É possível fazê-la sem nenhum auxílio externo, utilizando gestos, expressões e movimentos corporais. Recursos físicos e impressos como pranchas de comunicação ou cartões avulsos também são uma alternativa bastante utilizada. Além desses existem diversos softwares para computador, sistemas web e aplicativos de celular que oferecem recursos de Comunicação Alternativa.

Selecionei alguns programas, em português, que podem auxiliar pessoas que precisam destes recursos, e abaixo falo um pouco sobre cada um deles. Existem diversas opções disponíveis, aqui apresento alguns que eu conheço e sei de pessoas que utilizam com sucesso.

aBoard

Descrição da imagem. Print de uma tela do aplicativo aBoard, apresentando várias imagens de alimentos. Fim da descrição.
Tela do aplicativo aBoard

Disponível no GooglePlay clicando aqui

aBoard editor disponível clicando aqui

O aBoard é um aplicativo para dispositivos Android, cujo diferencial é a sua capacidade de dar sugestões que agilizem a produção de frases com sentido.

O aBoard Editor é o sistema Web que permite personalizar o vocabulário do aplicativo aBoard. 

Fruto do projeto de pesquisa Assistive (http://assistive.cin.ufpe.br/), o aBoard 100% gratuito, e voltado para os indivíduos que têm deficiência na comunicação gestual, oral e/ou escrita, sendo possível também utilizá-lo como ferramenta de apoio na educação inclusiva e em terapias como a PECS (Sistema de Comunicação por Troca de Figuras - do Inglês, Picture Exchange Communication System).

Um tutorial de uso do aBoard está disponível em: http://assistive.cin.ufpe.br/aboard-app/_intro/Tutorial_aBoard.pdf

Araboard

Descrição da imagem.Tela de abertura do aplicativo, com uma moldura que representa um tablet, tem o título AraBoard e abaixo, imagens agrupadas em três colunas: uma árvore, uma maçã, um rapaz escovando os dentes, uma menina, uma bola e um cachorro. No canto direito abaixo o ícone de duas ferramentas e abaixo o botão começar. Fim da descrição.
Tela inicial do AraBoard

Link para download do AraBoard- aqui 

AraBoard é um conjunto de ferramentas gratuitas,  projetadas para a comunicação alternativa e ampliada. Com ele é possível criar, editar e usar pranchas de comunicação para diferentes dispositivos (computador, smartphone ou tablet), assim como para diferentes sistemas operacionais. É composto de duas ferramentas complementares: 

AraBoard Constructor: esta ferramenta é utilizada para a criação e edição das pranchas de comunicação. mediante a coleção de pictogramas Arasaac e qualquer outra imagem e áudio armazenados no dispositivo. 

AraBoard Player: esta ferramenta é utilizada para executar as pranchas de comunicação previamente criadas no AraBoard Constructor. 



Matraquinha


Descrição da imagem. Desenho com fundo amarelo, representando uma mão que segura um celular. Na tela,imagens relacionadas à emoções, e ao lado, balões coloridos de conversa. Fim da descrição.
Imagem de divulgação do aplicativo Matraquinha

Site do aplicativo aqui

Matraquinha é um aplicativo destinado para crianças e adolescentes com autismo (TEA - Transtorno do Espectro Autista) ou que possuam dificuldades de linguagem. Com a utilização deste aplicativo a criança poderá se comunicar através de cartões. O funcionamento é bem simples, ao clicar nestes cartões o aplicativo vai dizer (por voz) o que a criança deseja transmitir. É gratuito e está disponível para Android e Apple.

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Gostou das indicações? Conhece outras alternativas? Pode contribuir nos comentários!
No meu instagram @tecnologiasparainclusao já tem um vídeo demonstrando o uso do aplicativo aBoard. Se vocês gostarem da proposta e tiver comentários positivos, posso fazer mais vídeos ensinando a usar os outros programas.

sábado, 10 de novembro de 2018

#pracegover - 4 boas práticas de acessibilidade digital

Imagem mostra o close de um teclado de computador, três botões em destaque representam símbolos da deficiência física, auditiva e visual
Imagem mostra o close de um teclado de computador, três botões em destaque representam símbolos da deficiência física, auditiva e visual


Já tem alguns anos que venho convivendo mais com pessoas com deficiência. Sejam amigos, colegas, alunos, interagimos bastante através de redes sociais. Além disso, já produzi vários materiais (físicos e digitais) didáticos acessíveis. Aprendi muito, com meus erros e acertos, e quero compartilhar algumas coisas que tomei para mim como boas práticas de acessibilidade de conteúdo e nas interações no mundo virtual.

1. Cuidado com emoticons - Essa vêm de uma situação me pegou de surpresa outro dia... Nos comentários da publicação de um amigo com baixa visão, alguém postou uma carinha feliz. A resposta veio rápido - "Alguém me explica o que significa esse bonequinho que publicaram? Porque eu não posso ver."

2. Audiodescrição - Leitores de tela (software usado por pessoas com deficiência visual para acessar o computador, que lê o que está na tela) ainda não "lêem" imagens. Já existem vários algoritmos em uso, por exemplo pelo facebook, que tentam reconhecer e descrever o conteúdo de uma imagem, mas não sãomuito eficientes, e é gentil a gente explicar, com poucas palavras, o que tem na imagem. - chamamos isso de audiodescrição, e é por isso que vemos muito por aí hashtags como #pracegover ou #descricaodaimagem .

3. Cuidado com documentos digitais - Imagens, gráficos e tabelas são um problema para leitores de tela! Precisam de uma descrição textual. Além disso, aqueles textos formatados com várias colunas costumam gerar uma enorme confusão na ordem de leitura se estiverem, por exemplo em PDF - melhor evitar quando possível.

4. Legendas e LIBRAS - Essa dica é para conteúdos como vídeos, pensando na acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva. Nem todos são fluentes na leitura em português então o ideal é que se possa sempre produzir conteúdo com as duas opções de acessibilidade.

Me conta aí nos comentários, como você faz para que suas postagens sejam acessíveis?

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

O que eu aprendi com meus alunos

Ilustração de duas pessoas, uma de frente para a outra, com a "cabeça aberta" e a representação das trocas a respeito de um assunto. Entre os dois a imagem de um balão de fala, com a figura de uma lâmpada.



Aprendi, aprendo, seguirei aprendendo... Toda vez que ensino algo a alguém.

Aprendi que cada ser humano é único. Verdade, cada pessoa aprende de formas diferentes e que quanto mais estímulos sensoriais tiver uma aula (fala, imagem, práticas...), maiores são as possibilidades de aprendizado.

Aprendi que a gente se frustra. A melhor aula que eu pude preparar nem sempre vai atingir os alunos, cada um vem para sala de aula com suas próprias questões, e sobre algumas delas - pessoais - não podemos interferir.

Aprendi a respeitar. O tempo de cada um, o desejo de participar, ou se isolar. Mas aprendi que tem momentos que precisamos incentivar um aluno a ir além, e a linha que divide as duas coisas é tênue.

Aprendi a mostrar o caminho e dar autonomia. Receitas prontas que não dão espaço para dúvidas e erros, vão ser guardadas na mochila e esquecidas.

Aprendi a importância da mediação da aprendizagem. Estar junto, acompanhar o raciocínio, orientar, questionar... Contribuir para a construção do conhecimento, nunca apenas "transferindo" conhecimento.

Enfim, a lista poderia ser infinita. Como disse, meus alunos me ensinam muito a cada dia - e amo aprender. Desejo pra nós, que saibamos sempre aprender o melhor de cada momento da vida, os bons e os difíceis estão aí para que possamos nos tornar sempre melhores.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

E agora? Não consigo me comunicar!

Sinais são para os olhos o que as palavras são para os ouvidos.
Fonte da imagem: Surdo para surdo.



Um dia desses vivi uma experiência recompensadora. Conversando com uma conhecida minha, que é profissional da saúde, ela relatou que tinha começado a atender uma paciente nova e enfrentava uma grande barreira - a comunicação! A paciente, surda, comunica-se com fluência em língua de sinais mas não é oralizada, ou seja, não desenvolveu a fala.

A primeira língua do sujeito surdo é a língua de sinais. Muitos são oralizados, desenvolvem a fala, mas a língua de sinais desempenha um papel fundamental para o sujeito surdo, assim como seria o braille para o cego, em relação à escrita.

Conversamos um pouco e minha conhecida disse que não sabia nada de Libras, e o atendimento estava sendo trabalhoso. Havia tentado usar desenhos, gestos, mas o vínculo não se formava entre profissional e paciente - a menina era tímida, pouco interagia. Sugeri para ela o uso de um aplicativo de celular, que traduz aquilo que falamos ou escrevemos, em Libras - eu tinha o Handtalk instalado no celular e apresentei a ela. Algum tempo depois, recebo uma mensagem:

...a paciente adorou e eu mais ainda, por conseguir me comunicar com ela! Obrigada.


Um gesto simples, um aplicativo gratuito, e uma mudança tão significativa no relacionamento entre duas pessoas. Agora imagine o quanto é complicado precisar se comunicar, expressar uma necessidade, e não ser compreendido. A Língua Brasileira de Sinais é a segunda língua oficial em nosso país, e ainda assim quando temos a opção da disciplina de Libras na graduação, costuma ser opcional.

Escrevo com um desejo sincero, que possamos pensar e falar mais sobre acessibilidade: arquitetônica, nos meios de comunicação, nos ambientes virtuais, e principalmente - nas nossas atitudes!

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Por que as expressões faciais são tão importantes na Libras?

Descrição da imagem:montagem com 4 fotos da intérprete de libras com expressões faciais diferentes.
Montagem com imagens da intérprete durante o pronunciamento. Foto: Reprodução / Twitter


Após o pronunciamento do futuro presidente Jair Bolsonaro na Rede Globo e GloboNews na noite do segundo turno,  a intérpretes de Libras virou alvo de piadas e comentários maldosos que circularam pela internet. Várias postagens nas redes sociais, e até artigos em alguns sites diziam que a "mulher da libras", "roubou a cena", ou exagerou, com suas "caras e bocas".

Acontece que as expressões faciais são uma parte importante da interpretação em Libras (Língua Brasileira de Sinais), elas complementam o sentido do que está sendo interpretado, representando as emoções, a ênfase e a entonação da voz de quem está falando. O intérprete, ao ouvir a mensagem falada e toda a carga de significados que o discurso traz no tom de voz, utiliza o recurso da expressão facial para transmitir todo o contexto para o surdo.

As piadas sobre a expressão facial de um intérprete, são um erro que pode ter sido causado por desconhecimento do trabalho que estava sendo desenvolvido. São uma forma de preconceito em relação a uma língua que é reconhecida e oficial em nosso país. 

Precisamos falar mais sobre isso. Com mais informação correta e de qualidade poderemos combater o preconceito e a discriminação contra pessoas com deficiência.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Porque e como eu faço audiodescrição?

Eu quero que o conteúdo publicado chegue até você com qualidade, e de forma bem clara. Por isso me preocupo em utilizar um formato de documento que seja acessível por quem utiliza softwares leitores de tela, e quero muito no futuro disponibilizar a tradução em Libras no meu blog. A audição e a visão, são duas questões que geram as maiores barreiras de comunicação na internet, e hoje vou falar sobre acessibilidade através da audiodescrição.

Audiodescrição é uma técnica para transformar imagens em palavras, é uma forma de descrever algo visual para quem não consegue ver. Na verdade, a audiodescrição pode beneficiar também pessoas com outras deficiências, como deficiência intelectual, na compreensão do que está representado em uma imagem - isso se aplica principalmente em casos como testes, onde é importante que o conteúdo de uma imagem seja bem compreendido.

Podemos utilizar da audiodescrição nas mais diversas áreas, desde a educação até eventos culturais como cinemas, teatros e espetáculos de dança. Museus e feiras contam com visitas guiadas, e a audiodescrição é um recurso muito importante para que o participante, com deficiência visual, possa acompanhar e compreender melhor a visita.

Eu utilizo muito a audiodescrição de imagens estáticas. Como faço mais para a internet, um critério que aprendi a usar neste caso é fazer um texto curto, como tudo que produzimos para mídia digital, para ser mais simples de acessar. No caso da audiodescrição em sala de aula, ou em uma palestra, em que os detalhes da imagem são importante para a compreensão de um conteúdo, é bom ser mais criterioso.

Mas afinal, como eu faço?


  1. Começo sempre do plano geral, dizendo se é uma foto ou desenho, por exemplo.
  2. Descrevo o contexto da imagem.
  3. Para os elementos da imagem, a ordem da descrição uso a mesma da leitura - da esquerda para a direita, de cima para baixo. 
  4. Procuro descrever cores e posicionamento, para dar mais clareza para quem for acessar a descrição.
  5. Evito sempre qualquer adjetivo, não digo se a pessoa é bonita ou está feliz pois isto é subjetivo, posso por exemplo descrever as características físicas da pessoa e dizer que está sorrindo. 
  6. Informo o início e o fim da descrição, pois se a pessoa está usando um leitor de tela e não vê a imagem, assim podemos deixar claro que o trecho se refere a imagem que está ali.

Vamos ver alguns exemplos?


Descrição da imagem: Foto em close de uma piscina. Dentro da piscina, há um nadador, usando touca e óculos cor de laranja, os óculos estão sobre a cabeça. O nadador está virado na direção de um cão de pelo bege, que se inclina na beira da piscina, na direção do nadador. O cão usa identificação de cão-guia e coleira, ambas na cor vermelha. Fim da descrição.

Descrição da imagem: Foto de um espaço de trabalho, delimitado por divisórias baixas na cor cinza. Um homem calvo aparece de costas, ele é cadeirante e está virado para o computador. O homem veste uma camiseta azul e usa um fone de ouvido com microfone, está mexendo no computador. A mesa é cinza, tem um formato em "V" e sobre ela vemos o computador, alguns papéis e caneta. Fim da descrição.

Uma dica extra! Aqui eu coloquei a descrição da imagem no texto, para que todos possam ver. Na prática, em um site, a descrição da imagem pode ser colocada no campo "texto alternativo" que aparece na maioria dos construtores de sites, ou usando a tag "alt" para quem desenvolve em HTML. Assim, a descrição vai ficar acessível para os leitores de tela e será lida sempre que o foco do cursor estiver sobre a imagem, e para os demais usuários, aparece somente no caso da imagem estar indisponível, ou não carregar.

Espero ter te ajudado com essas dicas. São simples, mas é o que funciona pra mim no dia-a-dia e com imagens estáticas. Quer saber mais? Quer compartilhar como você faz? Me conta nos comentários, vou adorar saber! 

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Por que tecnologias para inclusão?


Quando conto para as pessoas que trabalho com Tecnologia Assistiva, isso costuma causar muitas dúvidas e alguma confusão. Pensei muito até chegar no termo "tecnologias para a inclusão", que apesar de não abranger todo o conceito,  parece um pouco mais "explicativo" para esclarecer em poucas palavras.

Porém, isso não tira a importância da Tecnologia Assistiva e de entendermos do que se trata. Quando falamos em educação especial, inclusão laboral e direitos da pessoa com deficiência, este é um termo muito utilizado. De acordo com a Lei Brasileira da Inclusão, temos a definição de
tecnologia assistiva ou ajuda técnica: produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivem promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social;
Então, não se tratam apenas de recursos tecnológicos no sentido de usar um computador ou equipamentos caros, mas estes recursos estão incluídos, e esta é a área que eu mais atuo: recursos de acessibilidade no uso do computador. Equipamentos e softwares que auxiliam a pessoa com deficiência a trabalhar melhor no computador e assim ser capaz de se comunicar melhor, ser produtiva e estar incluída na sociedade, através da aprendizagem e do trabalho.

Existem muitas soluções que não exigem tecnologia computacional, e que são muito importantes para a inclusão da pessoa com deficiência que também quero abordar por aqui. Desde a Libras e o Braille, até adaptações de materiais didáticos e acessibilidade em materiais impressos em geral.

Espero que possamos fazer muitas trocas!
Me fala nos comentários, o que você quer ver por aqui?